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Este artigo foi escrito a 24 de Maio de 2010, quando terminei de ver a série completa, por ordem, pela primeira vez (quando era pequena era complicado ver seguido, perdia certos momentos). Demorei ano e meio, perto de dois, mas é uma experiência que guardo com carinho pois fez-me apaixonar outra vez pelos personagens, pela série e por todo o girly-ismo da coisa. E acho que hoje gosto mais de Sailor Moon do que quando era pequena… a única diferença é que já não brinco com amigos imaginários nem tenho os ceptros. Aqui fica então o texto! Nota: o blog em que este artigo estava não tinha visitantes muito amigos de anime, daí alguns comentários mais irónicos acerca da minha posição neste hobby.

Consegui acabar um projecto deveras interessante, que me irá tornar melhor pessoa, irá ser certamente importante no meu Curriculum Vitae e, sobretudo, irá ajudar bastante o meu percurso académico: acabei de ver Bishoujo Senshi Sailor Moon. Obrigado, Wikipedia, por teres disponíveis listas com os resumos dos episódios, que me ajudaram a passar os enche chouriços e ir somente aos que interessavam para o avançar da história. Indo ao que interessa a 1% das pessoas que aqui vêm!

Vou falar primeiro da música e da animação, que são coisas das quais posso falar de forma geral. A música peca por não ser mais variada. Embora existam momentos em que se insere bem, já se torna previsível que banda-sonora vai ter determinada cena. Quando ela está triste é a Moonlight Densetsu versão piano e por aí em diante. Quanto aos openings e endings, a Moonlight Densetsu é absolutamente incontornável e icónica. De resto não destaco mais nenhuma porque, sinceramente, acho que não vale a pena. Quanto à animação, não nos podemos esquecer que estamos a assistir a algo do início dos anos noventa, por isso não podemos esperar a animação com a qualidade que conhecemos nos dias de hoje. Mesmo assim, não desaponta e, algo que achei curioso e que gostei bastante, vai evoluindo ao longo dos anos, isto é, das séries, adoptando os novos métodos que iam aparecendo. Como resultado disto, a qualidade das próprias transformações da Usagi vai melhorando (as outras, infelizmente, permanecem bastante semelhantes ao longo de todas as séries) e a última série, Sailor Moon: Sailor Stars, já não tem grão nenhum na imagem e a nível de cores está bastante vibrante. Notam-se algumas inconsistências nalguns frames, como se tivesse sido feito a despachar, mas devido à popularidade da série na altura não me admira que tivesse sido mesmo esse o caso.

Agora individualmente (onde a trabalheira começa, mas faço isto por gosto).

Sailor Moon

Type: TV

Episodes: 46
Aired: Mar 7, 1992 to Feb 27, 1993
Producers: TV Asahi, Toei Animation, DiC Entertainment
Genres: Demons, Magic, Romance, Shoujo

A primeira de todas, onde tudo começa. Lembro-me de ser pequenina e ficar fascinada com a quantidade de cor-de-rosa na apresentação. Até levava a minha Game Gear com a aplicação de televisão para todo o lado para não perder um episódio (o problema é que o sinal daquilo não prestava e acabava o dia a fazer birras porque não tinha visto nada). Começamos por conhecer Tsukino Usagi, uma rapariga de catorze anos trapalhona, chorona e histérica mas com um bom coração, no dia em que encontra uma gata falante, que lhe revela que é uma guerreira com a missão de defender o planeta Terra. Como vi isto há um ano já não me consigo lembrar muito bem da história do cristal, mas sei que a Luna anda à procura da princesa da Lua e de um cristal que faz não me lembro o quê. É também nesta série que conhecemos as personagens principais, as suas diferentes personalidades, as suas origens (que se tornam um bocadinho, um nadinha confusas) e os seus objectivos.

Mizuno Ami é a única estudiosa do grupo, Hino Rei tem um feitio tempestuoso mas no fundo é das personagens mais queridas, Aino Minako sonha com a fama, tem o melhor sentido de humor do grupo e tem uma queda um bocadinho exagerada para romancear tudo… a única que não consigo encontrar assim algo de especial é a Kino Makoto, fora o saber cozinhar, ser maria-rapaz e saber lutar. Olha, afinal consegui. Pena que muitas vezes se tornem cardboard characters.

Quanto à história, não consigo encontrar grandes falhas. Embora a estrutura dos episódios seja bastante idêntica, até aos finais em que geralmente a acção e osuspense melhoram, esta primeira série segue relativamente bem o manga. Os pontos altos, para mim, foram o romance trágico entre a Naru e o Nephrite e os últimos episódios, em que cada personagem descobre a sua origem. Só tenho uma pergunta a fazer: se ninguém tivesse dito à Usagi e ao Mamoru que, no futuro distante, iriam casar e aquelas coisas bonitas todas, será que eles tinham começado a namorar? Porque sempre me pareceu um bocado forçado, no início. “Pronto, os gatos dizem que estamos destinados; embora estejamos sempre a discutir, vamos lá.” Claro que depois a relação deles se torna mais bonita… mas o início pareceu-me frio.

Sailor Moon R

Type: TV
Episodes: 43
Aired: Mar 6, 1993 to Mar 12, 1994
Producers: TV Asahi, Toei Animation
Genres: Demons, Magic, Romance, Shoujo

A primeira parte da série começa com fillers, para dar tempo à autora do manga lançar a história principal. No início, as guerreiras perderam todas as memórias que tinham do que se passou na primeira série, mas acabam por recuperá-las. Os inimigos são uns extra-terrestres estranhos que dependem da energia de uma árvore para viver. Nada de interessante, portanto. A história ‘oficial’ começa quando uma criança de cabelo cor-de-rosa, também chamada Tsukino Usagi, cai do céu em cima de uma Usagi e de um Mamoru em pleno estado namoradeiro. Esta criança é a Chibiusa – a personagem que mais detesto – e é a filha do casal, vinda do futuro, com a missão de encontrar o cristal prateado que ainda existe no nosso tempo para poder salvar a vida da mãe, no futuro. O problema é que os responsáveis pela destruição da futura Crystal Tokyo também tiveram a mesma ideia. E a luta começa.

É uma série que se segue bem, tirando os fillers (a Chibiusa amiga de um dinossauro? Um dinossauro?) e a Chibiusa, que é um mal que se tem que aguentar ainda durante duas séries. A nível de complexidade é semelhante à anterior: nada de muito comovente nem inteligente. Apenas algo que se vê bem, com momentos de comédia muito bons.

Sailor Moon S

Type: TV
Episodes: 38
Aired: Mar 19, 1994 to Feb 25, 1995
Producers: TV Asahi, Toei Animation
Genres: Drama, Magic, Romance, Shoujo

Considerado por muitos a melhor série de todas, e também a mais complexa, Sailor Moon S representou um ponto de viragem na história e um passo em frente quanto à maturidade dos personagens, talvez com o objectivo de acompanhar também o crescimento dos fãs. No início da série, Rei tem uma visão do fim do mundo, que mergulhará numa época de escuridão e silêncio. Para o evitar, as guerreiras terão que tentar encontrar os três talismãs que, juntos, evocarão o Santo Graal que, consequentemente, salvará o mundo. Claro que este também é o objectivo dos inimigos: não só obter o Graal mas acordar a criança portadora do dom de destruir um mundo inteiro. No meio disto tudo, surgem duas novas guerreiras: a Urano e a Neptuno, vindas do futuro, sabendo por certo qual será o destino do planeta se nada for feito. Embora no início se mostrem relutantes em cooperar com as restantes guerreiras, no final acabam por trabalhar juntas. Estas duas personagens foram alvo de uma grande controvérsia por manterem uma relação lésbica: e, na minha opinião, representam uma das relações mais tocantes e bonitas da história. Nas dobragens internacionais foram apelidadas de ‘primas chegadas’ e algumas cenas chegaram inclusivamente a ser cortadas, o que foi uma pena. Com elas, aparece também a Plutão. Importante também é a amizade travada pela chata da Chibiusa com uma rapariga jovem de aspecto bastante doente… que não é bem aquilo que aparenta ser.

É, realmente, um ponto de viragem e uma série bastante mais complexa e ‘negra’ que as anteriores. Embora não seja a minha preferida das cinco, vem num próximo segundo lugar.

Sailor Moon SuperS

Type: TV
Episodes: 39
Aired: Mar 4, 1995 to Mar 2, 1996
Producers: TV Asahi, Toei Animation
Genres: Drama, Magic, Romance, Shoujo

Não me vou alongar muito nesta porque a única coisa positiva que tenho a dizer é que os momentos de comédia são óptimos. Tinham que compensar o horror que é a série com alguma coisa. O centro de Sailor Moon SuperS é a Chibiusa, o que só por si diz tudo, que consegue ver um Pegasus nos seus sonhos, Pegasus esse que é procurado pelos maus. O Pegasus é, na verdade, um miúdo pálido com um corno no meio da testa que tem a capacidade de fazer não sei o quê e a Chibiusa apaixona-se por ele. Sim. Por um cavalo. Saltei demasiados episódios, vi só aqueles cujo resumo me parecia menos mal e quando acabou foi um alívio. É terrível. A sério: se querem ver a série por ordem, podem perfeitamente passar esta que não perdem rigorosamente nada. De nada. Mesmo. É mesmo péssima.

Sailor Moon Stars

Type: TV
Episodes: 34
Aired: Mar 9, 1996 to Feb 8, 1997
Producers: TV Asahi, Toei Animation
Genres: Adventure, Comedy, Drama, Fantasy, Magic, Romance, Shoujo

Como série final, consegue cumprir o seu objectivo. Aliás, é a mais consistente e, a nível de entertainment foi a que mais gosto me deu ver. Talvez por nunca ter conseguido apanhar nenhum episódio quando deu na televisão, talvez tenha sido o factor novidade, mas a verdade é que conseguiu atingir pontos que nenhuma das outras conseguiu. As personagens entram no liceu e parece que se tornam mais maduras e diferentes umas das outras. A Usagi, nesta série, conseguiu-me fazer gostar imenso dela. E o melhor? Não há Chibiusa, e a única criança que há quase não fala!

A primeira parte da série, como já tinha acontecido em Sailor Moon R, é constituída por fillers, que dão uma certa continuidade a situações pendentes de Sailor Moon SuperS. Episódios esses que prontamente saltei, porque o martírio que é SuperS não deve ser prolongado para além do necessário. A segunda parte começa com a introdução de três personagens novos, ídolos musicais e, secretamente, novas guerreiras, as Starlights que têm como missão encontrar a princesa do seu planeta que foi destruído pela nova (e melhor) vilã, a Sailor Galaxia. Galaxia pretende dominar a galáxia inteira e chegou a vez de possuir o planeta Terra, e é aqui que entram as guerreiras que já conhecemos. Na sua vida comum vão-se aproximando de Seiya, Yaten e Taiki, sem saber que, na verdade, são eles os senshi que encontram nas batalhas e que se recusam a cooperar com elas. Seiya apaixona-se por Usagi, que se encontra sozinha agora que Mamoru foi estudar para o estrangeiro (ou foi?). Este factor dá à série uma complexidade emocional bastante boa. A comédia também atinge o seu melhor neste grupo de episódios finais. Os fillers quase não existem. Foi mesmo um acabar em grande, que deixa saudades.

Pontos fracos gerais:

– A Chibiusa
– O facto de ninguém saber quem elas são quando se transformam, embora os penteados sejam idênticos e não usem nenhuma máscara;
– Os ataques e os seus nomes (Star Gentle Uterus? Moon Gorgeous Meditation? Shabon Spray? Love and Beauty Shock? O pior é que traduzido fica ainda pior)
– Grande parte dos episódios serem todos iguais, não deixando muito à imaginação do espectador
– Aquela pequena inconsistência no sexo das Starlights. São homens mas quando se transformam são mulheres?
– Toda a Sailor Moon SuperS.

Agora estou aos poucos a ler e coleccionar o manga. Quando acabar provavelmente escreverei um artigo sobre ela que incluirá as inevitáveis comparações entre o original e a adaptação. Curioso como já noto grandes diferenças! Sobretudo na relação da Usagi com o Mamoru, que no manga é de uma delicadeza e beleza completas enquanto que no anime é fria e sem grande interesse.