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Highschool of the dead (2010)

[Aviso: Contém spoilers]

Não se pode falar de zombies sem se falar de George Romero, e o seu “Night of the living dead”, que marcou uma enorme mudança na maneira como os zombies são vistos hoje em dia. Um género que antes estava saturado com uma ideia de voodoo e magia negra foi brilhantemente reinventado por Romero, dando origem ao pesadelo epidêmico ou pós apocalíptico a que estamos habituados hoje em dia. Mas isso são aguas passadas, esquecidas entre gerações. E não estou aqui para falar de George Romero, mas sim de “Gakuen mokushiroku: Highschool of the dead”, onde ao bom estilo estilo de “qualquer outro filme de zombies” acompanhamos ao longo de 12 episódios (e uma OVA) um grupo de estudantes desesperados em sobreviver num mundo cheio de zombies.

É uma série com zombies e raparigas sexy semi-nuas, o que é que poderia correr mal?

 

Para começar, não é um anime que agrade a qualquer um. Para alem da acção e violência é uma série do género “ecchi” e pode ser considerado de Shōnen. Mas não é só o publico masculino que gosta acção e de animes que apelam para a sexualidade das personagens femininas, podendo então agradar a ambos os géneros. Até porque esta série contem vários triângulos amorosos, um tema que agrada mais ao publico feminino. Bem, mas já estou a generalizar e afinal as coisas nem sempre são como aparentam. Para alem de que “HOTD” não é só sexualidade feminina e triângulos amorosos, tem alguns zombies pelo meio para “estragar” a festa. Claro que este constante “fanservice” por vezes é algo bastante desagradável para alguns fans de anime.

“HOTD” conta a história de como Kumuro Takashi e alguns dos seus colegas da escola se tornam sobreviventes num mundo que rapidamente fica infestado de zombies. Um mundo onde o caos e a anarquia andam de mãos dadas e não dão espaço a qualquer tipo de lei. Um mundo onde o desespero e o pior das pessoas levam a que o fim do mundo seja eminente. Onde é que eu já ouvi isto? Talvez em qualquer outro filme do género. Bem, criar uma história em que o tema principal são zombies é relativamente simples, o problema é desenvolver uma boa história com esta ideia já pré-concebida e que já foi contada centenas de vezes. E será que “HOTD” consegue ir mais alem do que mais um simples filme de zombies?

As Personagens:


Takashi é a personagem principal. No inicio não dá para criar grande empatia por ele, pois parece que não liga a nada, mas vai evoluindo rapidamente na série e é a personagem que passa a ser o líder e protector do grupo, ainda que de modo inconsciente. É apaixonado por Rei desde pequeno, mas nunca foi capaz de exprimir os seus sentimentos por ela. Ao longo dos 12 episódios nota-se uma tenção emocional e sexual entre os dois. Entretanto já mais para o final dá-se a entender que esteja interessado em Shizuka. Não dá para perceber muito bem, mas penso que seja uma ideia para desenvolver na segunda temporada.

Rei é amiga de infância de Takashi e mostra sentimentos fortes em relação a ele. É daquelas personagens que num momento podemos estar a gostar dela e no instante a seguir já não. É a personagem mais irregular da série e tanto pode ser chata e estar sempre a reclamar como pode ser uma querida e emociona-se, parece que tem um “mood switch”. Claro que na maior parte das vezes a sua repentina mudança de humor está relacionada com as acções de Takashi.

Hinaro, um nerd de óculos e com uns quilinhos a mais, é a personagem que mais rapidamente dá uma reviravolta na sua personalidade. A epidemia de zombies faz com que ele revele o seu lado de “gunji otaku” e finalmente consegue assumir toda a raiva que estava escondida e acumulada dentro dele. Assim que tem que entrar em acção vê-se Hinaro ficar com um sorrisinho perverso e os seus olhos com um brilho misterioso, e já sabemos que algo vai acontecer. Muda de doce e agradável para um completo “bad ass” em instantes.  É o protector de Saya, por quem tem um fraquinho, e o principal auxílio de Takashi quando as coisas dão para o torto.

Saya é super inteligente e uma aluna exemplar, mas é uma menina rica e mimada. Como quase todas as outras raparigas da série parece ter uma paixão por Takashi ainda que não o revele. Ao mesmo tempo também parece sentir algo por Hinaro. Mas é uma personagem por quem não consegui sentir grande empatia pois está sempre a reclamar por tudo e por nada. Ainda assim, por vezes nota-se que esconde outros sentimentos e que apesar de ter comportamentos intragáveis sofre com tudo o que a rodeia e pode esconder algo mais doce por baixo de tanta frustração. Talvez seja algo para explorar na segunda temporada.

Saeko é a presidente do clube de Kendo e por isso a personagem mais experiente a lutar. No inicio da série é uma personagem bastante reservada e não muito interessante, mas à medida que a história vai avançando, e a vamos conhecendo melhor, apercebemo-nos que é uma personagem bastante forte e emotiva, criando laços de amizade bastante fortes com todos. É mais uma das raparigas da série a envolver-se emocionalmente com Takashi. Apesar de tudo, com o decorrer da história e após a descoberta de um dos seus segredos, apercebemo-nos que Saeko afinal pode ser mais perigosa do que a sua postura pacifica aparenta.

Shizuka é a enfermeira da escola e é ela que tem o cargo de conduzir os diferentes veículos quando se deslocam para algum lado. Acho que está tudo dito desta personagem. Ah esperem, talvez por ser a enfermeira da escola fosse vista de vem em quando a cuidar de alguém, mas não. Shizuka é uma personagem do estereotipo loira e desajeitada que apenas marca presença pelos seus atributos físicos. Apesar de tudo a sua inocência e constante “ignorância” relativa ao que se está a passar leva-me a abstrair um pouco da história e dos zombies por breves momentos para me deliciar com as peripécias e as intrigas das quatro personagens femininas.

Alice é uma menina de 7 anos que entra apenas a meio da série e que é salva pelo grupo. Com ela também é salvo Zeke, um cão que os passa a acompanhar.

Todas as personagens interagem e trabalham muito bem uns com os outros. Apesar de discutirem entre eles isso não quebra a dinâmica do grupo, algo raro de se ver. Estou habituado a ver grupos que se vão deteriorando com o tempo e acabam por se desentender e separar pois há sempre algum elemento que puxa mais para seu lado criando conflitos dentro do grupo. Aqui trabalha-se em equipa para o bem de todos. Ao longo dos 12 episódios criam uma amizade entre eles bastante forte, apesar das personalidades opostas, e cada um tem o seu papel fundamental no seio do grupo.

A qualidade técnica da animação está excelente, mas sendo uma série dos estúdios “MadHouse” já era de esperar. Tem uma animação muito fluída e as cenas de acção funcionam bastante bem. Mas apesar de ser uma série sobre zombies não esperem um clima de terror. Há sangue é verdade, mas não um estilo “gore” em que os zombies têm as entranhas à mostra e tudo é mais assustador. E nem mesmo o terror psicológico foi introduzido. O que temos então é uma história de zombies com bons momentos de acção e violência.

A banda sonora está bem conseguida, e demonstra bem que é uma série de acção. Cada episódio conta com uma música diferente de encerramento, enquanto que a abertura, que foi produzida especialmente para este anime, é interpretada por Kishida Kyoudan & The Rockets Akeboshi.

É um amine onde o género “ecchi” está presente, como já tinha referido. E isso quer dizer que ao longo da série somos presentiados com quadro personagens femininas bem avantajadas que andam semi nuas ou com roupas provocatórias. Chega ao ponto absurdo de Shizuka, que é a enfermeira da escola, ter uns seios enormes e completamente gelatinosos. Abanam por tudo e por nada e ficam apertados em todo o lado, especialmente nos cintos de segurança dos veículos que conduz. Outro dos momentos mais “ridículos” é quando Saeko passa um ou dois episódios praticamente sem roupa, apenas com um avental e umas cuecas a cobri-la, pois teve de lavar a sua roupa que estava suja de sangue e convenientemente ainda estava a secar. Um dos momentos mais explícitos de “ecchi” é a cena do banho que as quatro tomam juntas. Mas esse não vou falar, é para ser visto. Só acho estranho que num mundo onde o terror está instalado por causa dos zombies, elas tenham tempo para tomar banho juntas e ainda “brincar” umas com as outras. Mas eu não reclamo, antes pelo contrário. O que é certo que estas cenas tiram toda a seriedade que “HOTD” poderia ter.

O facto é que zombies vendem e raparigas semi nuas também, havendo ou não uma história minimamente profunda e consistente por trás. E talvez eu faça parte das estatísticas mas gosto do género “ecchi” e de zombies, portanto gostei desta série. Não é nenhuma obra prima, longe disso, mas achei divertida. Pena que os episódios de cerca de 20 minutos passem a correr e muitas vezes têm “flashbacks” e cenas recicladas, levando-nos a chegar ao fim dos 12 episódios um pouco desiludidos por acabar tão rapidamente e não haver um desenvolvimento maior em relação à história e às personagens. Mas talvez seja essa a intenção, para agarrar o espectador e levar-nos querer ver mais. Uma segunda temporada talvez. A verdade é que esta série pode ser muito mais do que é, mas como já disse falta-lhe um aprofundamento maior da história e das personagens. Resta agora esperar  para saber se realmente vai ou não sair a segunda temporada.

Avaliação da série: 6/10

Quanto à OVA (Drifters of the Dead), nem sequer é digna que se diga alguma coisa. É péssima e não contribui em nada para o desenvolvimento da história. A única coisa que tem em comum com a série é o “fanservice” e as personagens. Não há qualquer tipo de acção, violência ou zombies, apenas raparigas em biquíni numa ilha deserta. Não que eu não goste de ver, mas para isso há outros títulos e géneros.

Avaliação da OVA: 3/10