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Finalmente consegui arranjar tempo para terminar esta série. Não sei se vos acontece isto, mas em tempo de aulas queixamo-nos que não temos tempo para nada mas, quando as férias começam, temos tempo para tudo mas não nos apetece fazer nada. É daquelas coisas que não fazem absolutamente sentido nenhum. No meu caso, é a pressa de pôr tudo em dia: livros, filmes, séries. Até que, por fim, compreendo que é virtualmente impossível fazer tudo ao mesmo tempo e começo com calma.

Fate/Zero decorre dez anos antes dos eventos narrados em Fate/Stay Night, embora no mesmo local. Nele, presenciamos com detalhe a Quarta Guerra do Graal e, sobretudo, as origens de algumas personagens de Fate/Stay Night como Tohsaka Rin e Matou Sakura (as suas motivações, o porquê de serem assim – são, se é que posso dizer isto, como que “filhas do Graal”, da ambição dos seus progenitores).

Fate/Zero pode ser uma série difícil de acompanhar para aqueles que gostam de acção ou que pensem que é mais Fate/Stay Night. Desenganem-se. Fate/Zero é muito moroso, muito detalhado… e precisa de o ser para dar entrada em grande na segunda parte da série, que estreia já em Abril. Esta primeira parte constitui os planos, as intrigas, as tácticas assim como nos dá a conhecer não só os pontos fortes e mais vulneráveis dos Masters como as ambições dos Servants e os seus projectos falhados em vida que são, na minha opinião, a força que os faz ser espíritos heróicos e continuar a lutar. Portanto não há muita acção: uma ou duas lutas mas inconclusivas, apenas para conhecer terreno e personagens. Se querem sangue esperem pela segunda parte.

Conhecemos também personagens novas, como Waver Velvet, Irisviel von Einzbern (mãe de Ilya), o sinistro Uryuu Ryuunosuke que chama a si o demente Caster. Por outro lado, conhecemos melhor personagens que já nos são familiares e que, em Fate/Stay Night, são meras sombras de si próprios, cansados de intrigas, de planos e desiludidos com tudo. Um personagem que me emocionou bastante foi Matou, que sempre foi contra as crenças da família mas acaba por se voluntariar como Master ao ver que iam usar a pequena Sakura, irmã de Rin, como sacrifício.

Saliento, antes de terminar esta curta crítica, o campo visual e audiovisual. Nunca uma série de Fate foi tão bem animada. Sim, Fate/Stay Night já tem uns anos e as técnicas na altura eram outras, mas os efeitos especiais em Fate/Zero são soberbos. Grande parte das sequências são passadas durante a noite por isso a inclusão de sombras, movimentos bruscos, ténues focos de luz e o sobressair dos Noble Phantasms são um festival visual sem comparação. A banda-sonora também é gloriosa, acompanhando na perfeição cada momento e sem deixar a música falar mais alto. Não há aquela cena em que a música é exageradamente triste para ampliar a emoção de uma personagem; não. É bonita mas contida, deixando esse julgamento para o espectador. O trabalho por parte do elenco também está muito bom e saliento especialmente o actor Tsuruoka Satoshi, responsável por Caster.

Como disse, há muito pouco a dizer sobre Fate/Zero por ser uma preparação para a batalha final. Tem muita conversa extremamente inteligente – como os diálogos entre Gilgamesh e Kirei – e é interessante ver como os próprios Servants se tentam conhecer a si próprios antes de travar a batalha. Estou muito curiosa para ver o que se segue e como estes homens traçam o futuro das crianças que, contra vontade, são protagonistas de Fate/Stay Night.

8/10: pelo luxo dos efeitos visuais, pela inteligência do guião e das personagens e pelo que aí vem.