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Este é o primeiro de uma série de artigos sobre os Heróis de FateZero: começo com Assassin e a seguir já tenho o Lancer planeado.

No universo de Fate, a categoria Assassin já teve várias encarnações. Mas quem é, ao certo, o Assassin de Fate/Zero? Foi o que fui descobrir. E, como habitual, aprendi coisas extremamente interessantes que se podem interligar perfeitamente com a história.

Assassin, ou, mais precisamente, o grupo Hashshashin, está directamente relacionado com um homem: Hassan-i Sabbah.

Hassan foi um missionário persa-árabe que converteu uma comunidade considerável aos ensinamentos. Residiam nas montanhas Alborz, no Irão. A sua base era o forte de Alamut. Hassan fundou uma organização cujos membros eram por vezes referidos como hashshashin ou, mais simplesmente, por soldados, cuja função era proteger não só Hassan como as fronteiras do Irão. Hassan é o Grande Mestre de ta’-lim por excelência, tendo criado muitos dos seus alicerces e princípios.

Nasceu em Qom, na Pérsia. O seu pai alegava ter ascendência Iémen. Muito cedo mudou-se para Rayy, onde hoje é Teerão e que, na altura, era um centro de convergência de ideias radicais e promovia bastantes missões independentemente dos sectos religiosos a que estavam associadas. Foi aqui que Hassan se começou a interessar por religião, particularmente pelas crenças Isma’ili. Estudou várias áreas entre as quais línguas, filosofia, astronomia e geometria. Aos dezassete anos converteu-se e jurou aliança ao califato de Fatimid no Cairo. Contudo, a sua viagem até ao Cairo durou dois anos – por motivos que aqui não vou citar. Durante a sua longa viagem passou pelo Azerbaijão, pela Turquia (de onde foi expulso), pelo Iraque, passando por Damasco e Síria e, antes de chegar ao Egipto, pela Palestina. Esta viagem permitiu-lhe não só conhecer novas gentes e novas culturas como também espalhar a sua fé e ganhar seguidores (que julgo ter sido o seu principal objectivo).

Não se sabe ao certo quanto tempo terá passado no Egipto mas é dado garantido que muito do seu tempo foi passado a estudar e a procurar seguidores. Após um pequeno desentendimento com o chefe do exército egípcio, Badr al-Jamali, Hessan viu-se obrigado a deixar o Cairo. O navio onde viajava naufragou mas Hassan foi salvo e resgatado para a Síria. Terminou a sua longa viagem no Irão, na província de Isfahan, em 1081.

A sua vida era totalmente dedicada a arranjar seguidores. Viajou extensivamente por todo o Irão, acabando por chegar às montanhas de Alborz.

Foi nestas montanhas que Hassan decidiu criar a sua base. Foi em 1088 que se deparou com o magnífico forte de Alamut, que terá sido construído por volta de 865. A invasão do forte por Hassan foi algo morosa: as suas várias estratégias demoraram cerca de dois anos a surtir efeito: primeiro, enviou membros da sua organização para a conquista das vilas circundantes; depois, converteu (ou mandou assassinar) figuras-chave. E, assim, o forte era finalmente seu.

Vista do topo:

Conta uma lenda que Hassan ofereceu 3000 dinares em ouro ao dono do forte em troca de toda a terra que coubesse dentro da pele de um búfalo. O dono, assumindo que sairía vitorioso, acedeu. Hassan não perdeu tempo: coseu diversas peles de búfalo umas às outras em redor de todo o perímetro do forte. Claro que venceu.

Agora com Alamut, Hassan dedicou-se de corpo e alma aos seus estudos e a dirigir os Hashshashin. Diz-se que durante os trinta e cinco anos em que lá residiu raramente saía dos seus aposentos. Era lá que estudava, rezava, jejuava e orientava a propaganda da sua doutrina. Sabia o Corão de cor, citava extensas passagens de textos de outros sectos religiosos e era versado não só nas disciplinas que já mencionei como também em alquimia e medicina. Era um homem que encontrava paz, alívio e conforto na sua própria austeridade e que vivia uma vida dedicada à fé e à oração. O que contrasta um bocadinho com a organização que criou, digo eu.

Os Hashshashin começaram a ramificar-se por todo o Irão, chegando mesmo até à Síria.

Quanto a Hassan, morre em 1124 em Alamut. A organização por ele criada permaneceu por muitos mais anos, liquidando inúmeras pessoas com relevância académica e militar: vistas bem as coisas, pessoas que fossem fortes opositores dos ideais de Hassan. Registam-se cerca de oito ocorrências após a morte de Hassan e tenho sérias dúvidas que o grupo se tenha ficado por aí.

Hassan e os seus Hashshashin são hoje considerados a primeira organização terrorista do Médio Oriente.

RITUAIS DE INICIAÇÃO DE UM HASHSHASHIN:

De acordo com Marco Polo, um futuro assassino era subjugado a rituais bastante semelhantes aos de outros cultos da época. O jovem era levado a acreditar que estava prestes a morrer. Mas, na realidade, era um truque. Era-lhe administrada uma droga que lhe fazia sentir essa sensação de desfalecimento. Então, os outros membros da organização transportavam-no para um jardim onde o jovem acordava. O jardim era paradisíaco, o vinho jorrava e era servido por belas e sumptuosas virgens. O jovem convencia-se então que estava no Céu e que só a total obediência a Hassan lhe poderia garantir a eternidade naquele local.

Há outros relatos mais plausíveis. Os rapazes eram levados desde muito cedo para Alamut onde cresciam no já mencionado jardim onde eram constantemente drogados com hashish. Após atingirem a maioridade, eram levados dos jardins e atirados para celas. Lá, eram informados de que, se quisessem regressar ao paraíso, teriam que obedecer cegamente a Hassan, que viam como emissário da divindade. Este ritual parece-me mais plausível.

Onde se encaixam os Hashshashin em Fate/Zero?

Para começar, pelo facto de serem imensos. E depois acho estranhamente curioso o Kirei ter conseguido chamar a si um homem tão inteligente e estratégico quanto ele. Vejo bastantes semelhanças entre os dois homens. Agora estou curiosa para ver como os outros Servants se assemelham aos Mestres!

Espero que tenha sido uma leitura interessante.