Hoje li este artigo. Geralmente gosto muito de ler as coisas desta página. É uma boa entretenga e cura bem as insónias. Mas este artigo irritou-me. Se há coisa que não gosto é quando cronistas apostam em parecer ignorantes para terem piada e isso acontece aqui. Nota-se claramente que, em vez de investir em conhecer as coisas antes de criticar, se limitou a falar mal sem conhecimento de causa. E perdeu totalmente o propósito porque nós que conhecemos as coisas sabemos que não é bem assim.

Algumas entradas estão engraçadas: o remake das Tartarugas Ninja não lembra a ninguém, assim como o manga de Star Wars (o Luke a cortar a cabeça ao Darth Vader? A sério?). Mas é em entradas como Hellsing ou Hetalia que o autor se espalha completamente.

“OK, so Alucard (not Dracula, mind you) now works for the Hellsing family after Van Hellsing defeated him one hundred years ago. And his guns have crucifixes on them. Sure, why not. By this point in the article no one should expect the Japanese give a damn about character integrity. Though they must be concerned about some kind of copyright infringement as they insist on adding an extra “L” to Helsing and only refer to Dracula by his lame backward name. Do the Japanese know what public domain means? Never mind, don’t tell them. It’s more fun this way.”

Sim, porque fazer re-readings de histórias adoradas pelo público é uma coisa exclusiva do Japão, não é? Claro que é. Vocês nem fazem isso não sei quantas vezes por ano com filmes quando já não têm ideias. Não gosto da forma como o autor retrata os japoneses como seres retardados sem ideias… até porque dizem que Hellsing é bastante bom. Ah! E falando em Van Helsing… o autor deste artigo não deve ter visto o filme com o Hugh Jackman. É muito, muito fácil fingir que se esquece das coisas para ter piada. É a forma mais simples de fazer humor. “Vou fingir que sou burro e que não percebo que o que estou a dizer não é bem assim”.

Depois pega num manga chamado The Legend of Koizumi que satiriza líderes mundiais, daquela forma que só os japoneses sabem fazer. Mas o autor deste artigo acha que é a sério.

“The idea here is that these comic book politicians settle the Earth’s geopolitical differences by playing mahjong, with each round represented by a Dragonball Z-style attack with its own special name and over-the-top look.”

E continua dizendo que não há nada bizarro no manga (ilustrando com imagens de um Hitler homossexual e de um George W. Bush pai mais alto que o filho). O senhor nunca deve ter lido manga para perceber o humor japonês. Pelas imagens que vi até fiquei com bastante curiosidade em lê-lo. Gosto muito de paródias a história e acho que o sentido de humor japonês consegue fazer coisas realmente especiais. Como, por exemplo, Hetalia. Sim, o artigo também fala em Hetalia. E também falha completamente o propósito da série.

“Kids today know so little about history that they probably couldn’t even tell you what year Abraham Lincoln defeated Napoleon during the Battle of World War I. The anime series Hetalia aims at fixing all that by presenting anthropomorphic versions of the world’s countries interacting with each other in a manner meant to simulate their relationships through history. It’s educational! Also, check out Poland feeling up Lithuania up there. The problem is… we don’t think the people behind Hetalia actually know anything about history.”

É UMA PARÓDIA! Se este senhor tivesse visto um episódio que fosse de APH tinha percebido que cada personagem simboliza um país (claramente nunca ouviu falar em personagens-tipo na escola) e que toda a série parodia as relações entre ambos durante a guerra. Ah, mas não fala nos 243.000 mortos no desembarque na Normandia. Não precisa! Porque o que interessa aqui é a relação entre os países que, na cena, estão na praia no meio duma discussão absurda. Porque toda a guerra foi absurda! E APH é precisamente sobre isso! Esta pessoa pensa que foi feito para educar crianças sobre história. Não podia estar mais errado. APH é para entreter pessoas que gostam de história.

Se querem ler o artigo inteiro estejam à vontade. Como referi, até tem coisas engraçadas. Mas é em séries que nós conhecemos que se vê que o autor não sabe nada do que diz.