Lembro-me tão bem em Junho de 2002, nos meus últimos dias da escola primária de ir quase a correr para a casa dos meus tios fazer a hora de almoço antes de retomar às aulas da tarde. Foi uma época muito triste para mim; ia mudar de casa; o quarto onde cresci ia ser para outra criança; já lá nem podia entrar porque as mudanças dos compradores estavam a ser feitas, fui obrigada a viver uma semana na casa dos meus tios que se encontravam em Itália. O sentimento de perda e medo era muito grande, ia perder todos os meus amigos e ter de fazer novos e  isso nunca me saia da cabeça, o que me fazia sentir sempre melancólica. A minha cura temporária era chegar a casa e almoçar enquanto via A Lenda da Branca de Neve na TVI. Bolas, como adorava aquilo. Perdia-me naquela história mágica recheada de todas as criaturas fantásticas que povoavam os meus sonhos. Já tinha visto este anime antes mas só ali, sozinha e triste numa casa nada pessoal, que realmente o vi. Este desenho-animado-dos-bonecos-com-olhos-grandes, foi o meu consolo numa fase transitória que, para mim, parecia o fim do mundo.

Tudo começou com o nascimento de uma linda princesa que tinha a pele branca como a neve, cabelo preto como o ébano e os lábios vermelhos como as rosas a quem os pais – Rei e Rainha do Vale da Esmeralda – decidiram chamar de Branca de Neve.

A pequena foi crescendo feliz e quando fez os seus quatro anos, recebe de prenda dos pais um cãozinho, um gato e uma pomba. Pouco tempo depois a doce Rainha adoece, mas antes de morrer pede ao seu marido para que se case de novo o mais rapidamente possível para que a sua filha pudesse crescer com uma mãe. O Rei angustiado promete que o vai fazer e, pouco tempo depois, casa-se com a Lady Chrystel (infelizmente não me lembro de todos os nomes, por isso vou usar os que a internet me fornece) que revela outra face quando Branca de Neve já tem doze anos e o Rei vê-se obrigado a ir para a guerra.

A madrasta torna-se uma mulher má, egoísta, ambiciosa e acima de tudo, vaidosa. Como se isso não bastasse também domina as artes da magia negra.
Começa também a tratar mal Branca de Neve e dispensa a sua ama Molly quando se apercebe que esta fazia de tudo para proteger a princesa. Deste modo a jovem fica completamente à mercê de Lady Chrystel que, na companhia do seu estranho morcego de estimação, começa a perguntar um espelho quem é a mais bela do reino.

Pouco tempo depois, a Rainha má decide organizar um banquete para ser apreciada por todos pela sua beleza. É neste banquete que Branca de Neve conhece Richard, o príncipe de Albertville. Os dois tornam-se imediatamente amigos por terem um amor mutuo pela Natureza. Enquanto todos os outros falavam com a princesa para cumprimentar a sua beleza, o jovem príncipe preferia conversar com ela sobre os seus animais de estimação.

Um dia depois do banquete, Lady Chrystel pergunta ao seu espelho quem é a mais bela do reino e fica horrorizada quando este lhe responde Branca de Neve.
Enraivecida com a notícia, a rainha manda a princesa para o seu quarto, proibida de sair de lá para sempre…

Branca de Neve desobedece à rua madrasta e volta a encontrar-se com Richard.
Quando volta a rainha zangada prende-a no seu quarto, proibida de ver o seu novo amigo. Ela passa o Inverno inteiro sem o ver mas quando finalmente chega a Primavera, surge a oportunidade de o ver mas este fiz-lhe que tem de embarcar numa longa jornada no lugar do seu pai, que se encontra muito doente. Richard dá-lhe um broche para que ela sempre se lembre dele.

Entretanto a resposta do espelho mágico não mudou e então Lady Chrystel fora de si, pede a um caçador – Samson – para que leve Branca de Neve para um bosque e a mate. O  caçador leva mas acaba por a salvar de um urso selgavem. O homem conta-lhe os planos da rainha e diz para a jovem se esconder.
Branca de Neve desconsolada por descobrir que a sua madrasta a desejava morta corre pelo bosque até encontrar uma pequena casa onde fica até chegarem os seus proprietários: os sete anões. Estes acabam por aceitar tomar conta da princesa e tornam-se todos muito amigos e vivem felizes.

Eventualmente Lady Chrystel descobre que Branca de Neve está viva e é aqui que a aventura começa.

O que mais gosto aqui é que a história produzira pela Tatsunoko Productions, criou para além da que já conhecemos é bonita! São várias lições de amizade, amor e também é muito ligada à Natureza.
Não nos ficamos pelas personagens que conhecemos, existem outras e até temos uma participação importante do príncipe. Aqui ele não aparece e salva-a com um beijo. Eles aqui são amigos e vivem aventuras juntos, aventuras essas que por vezes é a própria Branca de Neve que o salva.
A imagem mais clara que tenho desta história é um episódio em que o génio da espada de Richard possui Branca de Neve para poder ir ter com o seu amado, o génio preso no espelho da Chrystel. Isso e também o próprio Richard preso no espelho!
E também acrescento que o final é absolutamente impressionante, fascinou-me em todos os sentidos.🙂

É por isso que adorava este anime, não se ficava apenas pela história que conhecemos dos Irmãos Grimm, conta-nos o que acontece entretanto que é uma coisa que sempre me passou pela cabeça: O que as princesas fazem da vida até chegar o momento final da história.

Prolonguei-me de mais. Em suma é um anime excepcionalmente bonito de se ver com uma história interessante que recomendo a todos e que eu própria faço questão de um dia a rever.