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Foi no final de Julho de 2010 que li pela primeira vez Hotarubi no Mori E, manga escrito e ilustrado por Yuki Midorikawa, cujo trabalho mais famoso é Natsume Yuujinchou. Este manga consiste num conjunto de quatro histórias que simbolizam as estações do ano. A que corresponde ao Verão é aquela que dá o título à própria obra (e que, em português, significa qualquer coisa como “Na Floresta das Luzes dos Pirilampos”). Na minha opinião, é a história mais bonita e comovente.

Em 2011, esta mesma história foi adaptada num filme com duração aproximada de 45 minutos. Durante muito tempo, estive bastante ansiosa pelo lançamento do mesmo. Só hoje consegui, por fim, vê-lo.

Atenção aos spoilers.

O Verão chega todos os anos à mesma hora, sem se atrasar. Com ele chega também a personagem principal da história: Takegawa Hotaru, uma jovem rapariga que, no início deste filme, recorda uma série de Verões passados na companhia de alguém muito especial. Mergulhamos assim nas recordações de Hotaru (que, para quem não sabe, significa “Pirilampo”, em japonês), narradas pela própria.

Gin e Hotaru

Tudo começa quando Hotaru tinha seis anos de idade. A menina passava todos os Verões na casa do tio, situada num vale rodeado por montanhas e por uma grande floresta. É precisamente nessa floresta que, certo dia, a criança se perde. Desesperada, começa a chorar copiosamente, até que surge um homem que se prontifica a ajudá-la. Gin é uma espécie de alma aprisionada na floresta devido ao facto de, na sua infância, ter sido salvo da morte pelos deuses da montanha. No entanto, existe uma maldição que paira sobre o jovem homem: caso eventualmente algum humano o toque, desaparecerá. Por isso, Hotaru (que imediatamente simpatiza com Gin) está totalmente proibida de o tocar. Se o fizer, Gin evaporar-se-á para sempre.

Hotaru passa a visitar a floresta todos os dias, brincando e falando com Gin. Durante esses encontros, trava conhecimento com alguns espíritos que habitam aquele lugar, e todos advertem o mesmo: “Nunca toques o Gin.” A menina, que gosta muito do rapaz, leva as recomendações muito a sério. Quando o Verão finda, ambos despedem-se até ao próximo ano, quando a estação quente chega e traz consigo o comboio onde Hotaru se encontra para passar mais uns meses na companhia do amigo.

Os anos passam e Hotaru vai crescendo. Irremediavelmente, os dois acabam por se apaixonar quando a menina se transforma numa bela rapariga. Hotaru apercebe-se da falta que Gin lhe faz durante todo o ano, desejando constantemente vê-lo, embora saiba que nunca o poderá tocar. No último Verão que passam juntos, Hotaru confessa a Gin que planeia mudar-se para aquela cidade, uma vez que não aguenta mais as saudades que sente por ele. É então que o rapaz a convida para um festival onde os espíritos se reúnem para celebrar juntos. Hotaru aceita, e é precisamente durante esta ocasião que entende que os seus sentimentos são recíprocos. No entanto, uma criança humana que brincava por ali tropeça, sendo amparada por Gin, que desconhecia tratar-se de uma pessoa. A maldição cumpre-se e Gin desaparece, não sem antes abraçar finalmente Hotaru, algo que ambos haviam desejado há tanto tempo. Hotaru fica sozinha na floresta, despedindo-se para sempre daquele que ama.

Hotarubi no Mori E é uma história doce e ternurenta. A temática dos espíritos (tão presente no manga mais famoso da autora, Natsume Yuujinchou) serve apenas de pretexto para simbolizar um amor que une duas pessoas. O filme é simples, apresenta alguns momentos cómicos e outros mais melancólicos, próprios com o estado de espírito da personagem feminina principal. Não ocorrem quaisquer reviravoltas na acção ou acontecimentos mais marcantes. Contudo, isto não é uma desvantagem, mas sim apenas a tradução do ritmo da história original que, por si só, também é dotada de uma simplicidade que a torna verdadeiramente bonita.

A animação também é bastante agradável, muito semelhante à do anime de Natsume Yuujinchou. Isto não foi uma surpresa, porque o estúdio a cargo de ambos os projectos é o mesmo, assim como o realizador e o responsável pelo character design. As semelhanças entre as duas séries é inegável, assim como o próprio sentimento que os enredos deixam transparecer. Contudo, e muito pessoalmente, não gostei da música composta por Yoshimori Makoto. A meu ver, este fez um trabalho muito mais notável em Natsume Yuujinchou. A banda sonora de Hotarubi no Mori E carece do sentimento necessário para comover o espectador, pelo que senti a falta das músicas mais emotivas que Natsume apresenta. Nem mesmo a cena mais triste e importante do filme me conseguiu convencer em termos musicais, o que, na minha opinião, foi uma grande falha, uma vez que, neste tipo de trabalhos, a banda sonora desempenha um papel crucial.

A adaptação está bastante fiel ao trabalho original de Yuki Midorikawa. As diferenças são muito ligeiras e não prejudicam em nada a história, muito pelo contrário, contribuem para aumentar um pouco mais a duração do filme, o qual se tornaria bastante curto se tal não fosse feito.

Quanto aos seiyuu, gostei, em geral, da escolha de todos. Uchiyama Kouki (Asaba Yuuta em Kimi to Boku; Midnight em Fairy Tail) foi o responsável pela voz de Gin, e Sakura Ayane (Nightmare Merry em Yumekui Merry) interpretou Hotaru.

Em geral, achei uma adaptação bastante satisfatória. É uma história que me é muito querida, e gostei muito de a ter podido ver no ecrã. Se não fosse a música, teria sido um pouco mais perfeita. Assim sendo, serviu para me entreter, mas continuo a preferir o manga. O que não me impede de ter ficado muito feliz por este filme ter sido feito. Hotarubi no Mori E merece.