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Numa tentativa (espero que não vã) de revitalizar a secção de música trago-vos hoje um artigo sobre a minha banda japonesa favorita. Não posso dizer que conheça a sua discografia extensivamente mas a voz do Sakurai Atsushi mexe comigo de maneiras que muito poucas outras vozes, inclusivé Ocidentais, são capazes de fazer.

A banda formou-se em 1983 na cidade de Fujioka e os seus membros são Sakurai Atsushi, Hisashi Imai, Hidehiko Hoshino, Yutaka Higuchi e Toll Yagami. O seu som tem variado bastante ao longo dos anos tendo cobrido áreas tão diferentes como o punk, electrónica, industrial gótico e rock. Foi Hisashi quem teve a ideia de formar uma banda, embora, na altura, não soubesse tocar nenhum instrumento. Logo começou a praticar juntamente com o seu amigo Yutaka Higuchi. Mais tarde conheceram Hoshino, que tentaram convencer a assumir a posição de vocalista devido ao seu aspecto físico. Contudo, este estava mais interessado em tocar guitarra. O lugar de vocalista continuava vazio tendo sido preenchido temporariamente por outro amigo de Imai. Sakurai Atsushi, o loner rebelde da escola, juntou-se à banda como baterista. O primeiro nome da banda foi Hinan Go-Go (Hinan significa “criticismo” em japonês). Começaram a tocar em pequenas salas locais tocando sobretudo covers. Sempre levaram a sua imagem bastante a sério logo no início e tentaram demarcar-se das bandas restantes vestindo fatos e usando o cabelo em pé. Depois de cada membro acabar o liceu voltaram a reunir-se em Tóquio mas, devido a escolas e horários diferentes, só podiam praticar em casa aos fins-de-semana e interrupções lectivas. Foi neste período que a banda adoptou o nome definitivo de BUCK-TICK, que é uma forma alternativa de escrever a palavra bakuchiku, sinónimo de firecracker.

Sakurai, contudo, não foi para Tóquio. Isolado em Fujioka entrou numa profunda depressão. Passava grande parte do seu tempo sozinho ou ia a concertos. Foi neste período que decidiu que estava farto de ser baterista e passou a ter como objectivo estar à frente da banda. Por sorte, os BUCK-TICK estavam a ficar desiludidos com as atitudes do vocalista corrente e Sakurai conseguiu convencê-los a substitui-lo. Após um período de lançamentos independentes com bastante sucesso a banda viu o seu debut oficial chegar em 1987. A banda cedo se tornou um fenómeno. Lançaram o seu primeiro álbum através de uma editora discográfica mainstream a 21 de Novembro do mesmo ano. O terceiro álbum foi lançado em 1988 – por aqui se consegue ver o tamanho do fenómeno.

A sua carreira foi progredindo de forma contínua, sempre com bastante sucesso, acompanhadas sempre por mudanças de visual. O som também foi melhorando, sobretudo o tom vocal de Sakurai Atsushi – que, como se pode ver pelo vídeo colocado acima, não tinha nada a ver com o que conhecemos hoje. Lançaram álbuns de sucesso como Taboo (gravado em Londres) Aku no Hana (este lançado após um breve hiato) e Kurutta Taiyou.

Em 1996 a banda quebrou o contrato com a sua editora discográfica e inauguraram a sua própria editora, a Banker Ltd, através da qual lançaram o seu nono álbum, Cosmos. Este álbum marcou outra mudança de som para a banda, adoptando um estilo mais cyberpunk. A maturação deste novo estilo deu-se com o álbum Sexy Stream Liner cujo primeiro single, My Fucking Valentine, foi um sucesso imediato. Em Maio de 1998 a banda gravou o tema Gessekai que marcou a sua primeira contribuição para uma série de animação: era o tema de abertura de Nightwalker: The Midnight Detective. 

Por volta do ano 2000 a sua popularidade já se tinha espalhado pelo mundo. Contudo a banda suspendeu a sua actividade em 2004 para dar espaço a projectos individuais de cada membro. Em 2005 já estavam de regresso com o álbum 13kai wa Gekkou que simbolizou o início de mais outra fase para a banda: a incursão por sonoridades mais góticas e industriais. Foi atribuído um cuidado especial ao novo visual e até mesmo aos cenários utilizados durante as digressões. Esta nova fase surgiu ao mesmo tempo que um novo interesse por visual kei gothic lolitas ressurgiu, o que atribuiu à banda uma nova legião de fãs.

Até aos dias de hoje a banda tem oscilado entre as influências góticas e o rock. Nota-se particularmente esta junção das várias sonoridades que os têm acompanhado no álbum mais recente, Razzle Dazzle.

Quanto aos temas que foram escolhidos para abertura de séries de animação, para além de Gessekai, temos o incontornável Dress (Trinity Blood), Kagerou (xXxHolic) e Kuchizuke (Shiki). Deixo-vos com os vídeos dos respectivos temas.

Porque é que eu gosto de BUCK-TICK? Para ser sincera nem percebo metade do que dizem. Não sou o tipo de fã de anime que perde tempo a ver traduções. Faço uma ideia geral do conteúdo das canções e o que me atrai não são as letras – mesmo não sabendo o significado de todas compreendo sempre a mensagem geral e o Atsushi é um excelente, excelente poeta. O que me atrai é o som, a imagem (aquilo em que tanto trabalharam) e, acima de tudo, a voz do Sakurai. É uma voz incontornável que se distancia imenso das vozes mais recentes do panorama musical japonês – aquelas vozes cheias de vibrattos no final que parecem todas saídas do mesmo saco. A voz dele tem corpo, tem sensualidade. Sou capaz de o ouvir cantar durante horas. E, claro, o aspecto físico também não fica nada atrás…

Ora bem.