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Sempre fui fascinado por retrogaming e jogos que possuem o mesmo estilo 2D, especialmente jogos de plataformas. Esta minha paixão começou à muitos anos atrás, mesmo antes de ter as minhas primeiras consolas. Talvez tenha começado com o Pong (home version) que saiu em 1974 e os meus pais tinham guardado em casa como recordação dos seus tempos de adolescentes. Ou dos dias que passava em casa da minha prima e jogávamos Odyssey2 (conhecida na Europa como Philips Videopac G7000) que saiu em 1978. O meu tio tinha acesso às mais recentes tecnologias (LOL) pois era dono de uma loja de electrodomésticos e em consequência a minha prima tinha uma colecção de jogos invejável. Mas o que despertou mais esta minha paixão foi sem duvida a Super Nintendo que recebi no natal e mais tarde o Gameboy que me ofereceram. A velhinha Super Nintendo ainda ali está guardada numa prateleira para eu jogar de vez em quando. E mesmo a minha actual PS3, com os seus modernos e quase realistas jogos em 3D, não consegue superar o sistema de 16 Bits. Simplesmente não tem hipótese, a Super Nintendo é para mim a melhor consola caseira alguma vez feita. O meu Gameboy (aquele tijolo onde eu jogava a preto e “branco”) já à muito tempo que deixou de funcionar, tantas foram as horas de uso.

“The Legend of Zelda” sempre foi uma série de jogos que me fascinou, infelizmente nunca surgiu a oportunidade de jogar. Para isso contribuiu a falta de informação sobre o jogo na altura. Não sabia que tipo de jogo era nem como era a sua jogabilidade. Não havia internet, nem revistas de videojogos portanto a maior parte dos jogos eram comprados sem grande conhecimento sobre os mesmos. Víamos as imagens na capa do jogo e esperávamos pelo melhor. Talvez tivéssemos a sorte de ter algum amigo com o jogo que queríamos e pudéssemos experimentar antes de comprar, ou então optávamos por jogos que tinham uma versão arcada e bastava ir ao café da esquina gastar umas moedas nas maquinas. Visto que todos os meus amigos tinham uma Mega Drive era difícil eu escolher jogos, a não ser que fosse um jogo licenciado para as duas consolas. Não haviam muitos na altura portanto a escolha tinha que ser muito bem feita, caso contrário acaba com um jogo que não correspondia às minhas expectativas e só mesmo no natal ou nos meus anos é que recebia um jogo novo.

Como nunca é tarde de mais, recentemente decidi começar a jogar “The Legend of Zelda: A Link to the Past”.
À medida que fui avançando na história do jogo pude verificar que este jogo influenciou quase todos os jogos de aventura e RPG que saíram até hoje. “The legenda of Zelda” terá sido, como muitos dizem, o pai deste tipo de jogos? Na minha opinião, sem duvida que sim. Consigo comparar “A Link to the Past” por exemplo ao jogo mais actual do género que joguei na PS3. Estou a falar de “Fallout 3” (que pode já estar um pouco desactualizado, mas “Fallout New Vegas” ou o ainda mais recente “Skyrim” seguem o mesmo género), um jogo que passei horas e horas… e horas a jogar e a explorar. E ao fim de alguns minutos a jogar “A Link to the Past” torna-se evidente que o esquema de jogo é exatamente o mesmo. Entre os dois títulos muda apenas a história e a barreira tecnológica de mais de 20 anos de diferença. São incríveis as semelhanças.

“The Legend of Zelda” (o primeiro titulo da série editado em 1986) é assente no conceito de exploração de um vasto mundo. Link percorre a região de Hyrule, na sua primeira jornada épica, com o objectivo de reunir o Triforce, resgatar a princesa Zelda e acabar com Ganon, o mal que invadiu a terra. Para alem da história principal, existe toda uma simbologia que haveria de permanecer titulo após titulo, ao longo dos mais de 25 anos da série. Ao contrário de “Aventure of Link” (Zelda II) que se passa anos depois de “The Legend of Zelda”, “A Link to the Past” (o terceiro titulo da série) passa-se antes do jogo original, onde Link terá que salvar Hyrule, derrotar Ganon e resgatar os sete descendentes dos Sábios. Bem, existem varias teorias sobre a linha temporal de “Zelda” e não será desta vez que irei discutir isso.

Introdução:
Três deusas desceram ao mundo e criaram a terra, a sabedoria e a vida, deixando o Triforce como testemunho da sua vinda. Este artefacto é colocado num reino chamado Golden Land e lá permanece à espera dos três escolhidos, merecedores do seu poder. Esta lenda é passada de geração me geração até que um grupo de ladrões consegue chegar a Golden Land. Uma vez lá, o líder do grupo (Ganon) consegue tomar posse do Triforce.
Através da posse do Triforce, Ganon consegue poder suficiente para formar um exército e semear o mal em Hyrule, tornando a Golden Land no Dark World. Então, o rei de Hyrule decide enviar os sete Sábios para trancar a passagem para o Dark World. Com essa ideia em mente, é forjada a Master Sword, a única espada capaz de livrar o mundo das forças do mal e de resistir ao tremendo poder do Triforce. Os planos do rei são bem sucedidos, conseguindo aprisionar Ganon dentro do Dark World e trazendo a paz a Hyrule.

Início do jogo:
Link recebe um pedido de socorro enquanto dorme, através de uma voz misteriosa. A voz é ouvida telepaticamente por Link e pertence a Zelda, a princesa de Hyrule. A princesa conta que um terrível mago chamado Agahnim assassinou o rei e tomou o controle do reino. Link tenta partir ao encontro de Zelda, mas o seu tio decide ir no seu lugar. Link segue-o e encontra-o numa masmorra do castelo gravemente ferido. Percebendo que era impossível evitar o destino de Link, o seu tio entrega-lhe um escudo e uma espada, depositando assim todas as esperanças de salvação do reino nele. Link salva a princesa Zelda que se encontrava presa numa das masmorras do castelo e juntos fogem para o santuário.
Após resgatar a Princesa, Link ganha a fama de ter sequestrado Zelda e torna-se num inimigo aos olhos de todos os moradores do reino. Alem disso é perseguido pelo exército de Agahnim.
Cabe a Link parar Agahnim, cujo objectivo é romper o selo deixado pelos sete Sábios, abrindo caminho  para o Dark World  e assim libertando Ganon e o seu exercito. A única esperança de Link é encontrar a Master Sword, o que não será uma tarefa fácil. Para a encontrar são necessários três pendentes mágicos que estão escondidos em três lugares distintos espalhados pelo reino de Hyrule.
Estes são apenas os primeiros minutos do jogo, mas logo se nota que a história está muito bem estruturada e à medida que vai evoluindo revela algumas surpresas que constroem esta aventura épica.

“A Link to the Past” é composto por dois vastos mundos, que coexistem em dimensões paralelas. À parte da missão principal de Link, temos a liberdade de explorar esses dois mundos o tempo que quisermos. E até faz sentido que o façamos, pois o jogo contem vários “sidequests” espalhados por todo o reino. Se os conseguirmos completar somos recompensados de forma positiva. Alem disso, à medida que vamos explorando o mapa podemos ir recolhendo diamantes (moeda de troca do jogo) e descobrindo alguns itens que podem ser bastante importantes para avançarmos no jogo. Esses itens podem também ser adquiridos fazendo negócio com alguns comerciantes ou pessoas interessadas em algo nosso.

Para alem de saltarmos da Nintendo (8bits) para a Super nintendo (16 Bits) existem algumas novidades em relação aos dois títulos anteriores da série. É em “A Link to the Past” que surge pela primeira vez a Master Sword. Esta espada mítica assume-se como figura central da história. Na primeira metade do jogo Link terá de se aventurar pelo reino de Hyrule na busca dos três pendentes que lhe permitirão empunhar a Master Sword, só depois poderá embarcar na sua missão para defender o reino de todo o mal. A partir deste ponto surge também, pela primeira vez, uma das características da saga “Zelda”. Para seguir-mos em frente no jogo, Link terá de alternar entre dois mundos paralelos, o Light World (Hyrule) e o Dark World (o mundo onde se encontra Ganon). Os dois mundos estão ligados entre si, e só alternando entre os dois podemos desvendar alguns dos puzzles de “A Link to the Past” e avançar no jogo.
Mas nem tudo é novidade, “A Link to the Past” aprende com “The Legend of Zelda” e “Adventure of Link” e volta às suas origens, abraçando o estilo de jogo do primeiro titulo da saga, assente na exploração e aventura. “A Link to the Past” pega em tudo o que fez o primeiro titulo da série inesquecível, junta alguns pormenores interessantes de “Adventure of Link”, não repetindo os mesmo erros deste, e faz uma compilação dos dois jogos, amplificando a aventura de “Zelda” com as potencialidades da nova consola de 16 Bits da Nintendo. A isto, ainda junta novos conceitos e toda uma simbologia que haveria de permanecer até aos dias de hoje.

Quanto ao grafismo, este deve ser julgado na época em que saiu. Estávamos no inicio da era 16 Bits. A Super Nintendo tinha sido lançada à cerca de um ano e a Mega Drive uns anos antes. Apesar disso, os gráficos eram (e ainda são na minha opinião) brilhantes para a altura e poucos jogos o conseguiam igualar. O jogo possui um visual bastante agradável e a perspectiva isométrica faz com que tenha uma jogabilidade bastante fácil, possibilitando uma melhor compreensão daquilo que nos rodeia.
A musica, apesar de utilizar o Chip de 8 Bits de som da Nintendo, apresenta uma qualidade fabulosa, combinando os sons e conseguindo harmonizar perfeitamente a atmosfera do jogo. Constitui até hoje uma das melhores bandas sonoras de videojogos. Alguns dos temas de “A Link to the Past” podem ser encontrados noutros títulos da série que saíram anos depois, como por exemplo em “Ocarina of Time”, que a par de “A link to the Past” é considerado por muitos como um dos melhores títulos da série.

“The Legend of Zelda: A Link to the Past” foi lançado na Super Nintendo à mais de 20 anos atrás, no inicio dos anos 90. Entretanto já saiu para Gameboy Advance e mais recentemente na Virtual Console para a Wii e Nintendo 3DS.
Não tenho duvidas, é um dos melhores jogos de aventura de todos os tempos. Em “A Link to the Past” vamos aventurar-nos por um vasto mundo cheio de magia e perigos para podermos salvar o nosso reino. Exploramos aldeias, desertos, florestas, rios e pântanos. Estas áreas estão interligadas mas nem sempre conseguimos aceder a todas numa primeira passagem. Teremos de desvendar puzzles e de nos aventurar nas profundezas obscuras das grutas e masmorras para tentar encontrar algum acesso que nos deixe prosseguir até ao próximo objectivo. Mas é precisamente nestes sítios que, para alem de serem uns autênticos labirintos, residem os adversários mais perigosos. É essencial encontrar um mapa para nos podermos guiar no caminho, assim como levar connosco um saco cheio de itens que nos ajudem a chegar mais alem.
É uma aventura a não perder!

Nota: 10/10

Algumas partes do jogo:

Isto é o anúncio oficial do jogo? (OMG)