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Rurouni Kenshin tem sofrido bastante nas mãos daqueles que querem prolongar o culto. Mas uma série de culto é algo que não se prolonga: é o que é, termina e nada mais. A não ser que, claro, as adições sejam feitas pelos próprios autores e não sejam completas adulterações feitas à história original. Foi o caso da Seisohen, que resolveu dar um final completamente diferente à história e é o caso deste travesti chamado Shin Kyoto Hen, um remake do arco de Kyoto.

Esta crítica contém spoilers. Foram avisados.

A própria ideia de fazer de novo o arco mais perfeito tanto do manga como da série de animação é um pouco, se me permitem o coloquialismo, estúpida. O arco Jinchuu nunca foi animado, por exemplo. Podiam ter pegado nisso. Ou podiam ter feito a série toda de raíz, como fizeram em Fullmetal Alchemist: Brotherhood, seguindo fielmente o manga. Mas não. Optaram por fazer o desnecessário. E pior que isso? O estúdio responsável por esta nova versão não é dos mais conceituados (Studio Deen). Querem pior? A história foi severamente modificada.

A primeira parte de Shin Kyoto Hen conta-nos parte do arco de Kyoto do ponto de vista de Makimachi Misao que, por qualquer razão que me ultrapassa, foi transformada em moe blob. E que, por qualquer razão que também me ultrapassa, ganha um papel muito mais importante do que aquele que Nobuhiro Watsuki lhe atribuiu. E que, também por qualquer razão que de momento não me assiste, tem um pombo como animal de estimação. A ideia em si até é interessante – preencher algumas lacunas na história original, como conversas que a Misao e o Kenshin poderiam ter tido, os sítios onde pernoitam, etc. – mas não funciona de todo. Porquê? Porque o original está tão embutido nas nossas mentes que não aceitamos qualquer tipo de adulteração. Falo por mim mas julgo que se aplica a todos os fãs de Kenshin. Esta primeira parte engloba ainda a breve luta entre Kenshin e Soujirou, o conflito entre Chou e Kenshin por causa da espada e a luta entre o Okina e o Aoshi que… bem, que parece que foi metida a ferros (quando é um dos momentos mais importantes do arco). Depois deste breve resumo passo a ilustrar o texto com algumas imagens que passarei a comentar.

A animação, como podem ver, é excelente.

Aqui está o pombo melhor amigo da Misao.

A Kaoru e o Yahiko não aportaram em Kyoto, vendo-se forçados a andar pela floresta e indo ter, do nada, a casa do Hiko (mesmo antes do Kenshin lá ter estado).

A Kaoru é a coisa mais bonita desta OVA, para ser sincera. Extremamente bem desenhada e animada sem qualquer incoerência. Pena que o mesmo não se tenha aplicado aos outros personagens.

O Hiko está estranho.

Os senhores do Studio Deen também acharam boa ideia porem o Shishio e a Yumi a efectuar certos e determinados actos. Isto, de acordo com o original, seria algo impossível visto que o Shishio tem a pele a enésimos graus centígrados. Para a próxima verifiquem com o cânone antes de quererem ser engraçadinhos, sim?

O Usui faz de cockblocker.

O Chou também beneficiou um pouco com esta nova animação. Um pouco. Sempre gostei do personagem e tinha pena que parecesse tão artificial na série original. Aqui está ligeiramente melhor embora toda e qualquer personalidade tenha sido removida.

Sim, o Hiko põe o Yahiko a cortar lenha.

Não faço comentários ao “novo” Kenshin porque, sinceramente, não vale a pena.

O Iori ganhou cabelo.

Esta cena é provavelmente a melhor animada de toda a OVA embora seja estupidamente cliché. É quando o Kenshin revela à Misao os destinos dos restantes Oniwabanshu.

Okina.

O meu menino.

E agora preparem-se: nesta nova versão é o Shishio que mata o Usui. Gostava, mas gostava mesmo, de ter visto a reacção do Watsuki. Com esta pequena mudança conseguiram matar vários coelhos com uma só cajadada: a morte do Usui e a mítica cena em que o Shishio toca a face de Hôji. Hôji esse que não aparece.

O reencontro do Kenshin e da Kaoru é assim:

E há… isto:

Para além da adulteração da história, a banda-sonora também sofreu imenso. As músicas mais conhecidas da série não aparecem vez nenhuma e as originais levaram um tratamento foleiro. Não assentam de maneira nenhuma nas cenas.

Dou 2/10 a isto. Não gosto que brinquem com as séries do meu coração e o que acabei de ver não tem ponta por onde pegar. E acho insultuoso dizerem que isto é uma introdução excelente para aqueles que não conhecem Rurouni Kenshin. Não é. Se querem conhecer a série vejam o original ou leiam o manga. Não fiquem por ver resumos mal feitos que não fazem justiça nenhuma ao original.