Tags

, , , ,

Yoshihara Yuki é uma mangaka peculiar. O meu primeiro contacto com o seu trabalho foi na BDMania – peguei num volume de manga ao acaso que por coincidência era Chou yo Hana yo, li a sinopse, achei a coisa mais bizarra do mundo, voltei a pôr na estante mas a minha curiosidade já estava aguçada. O resto é história.

Não é, nem de perto, nem de longe, a minha mangaka favorita. Porém o que me faz gostar dela é precisamente algo que não encontro em mais lado nenhum: uma autora feminina que faz das suas protagonistas jovens mulheres (incansavelmente) activas sexualmente. E prevertidas. E bastante engraçadas precisamente por causa disso. É bom encontrar a situação normal invertida e, sobretudo, explorada. Por vezes o shoujo inocente cansa e uma pessoa precisa de coisas mais… explícitas.

Claro que nem tudo é um mar de rosas. O seu estilo inicial deixa bastante a desejar e o uso abusado de chibis satura bastante. Em certas séries a protagonista torna-se tão ridícula no seu desejo e paixão que o leitor até sente vergonha por ela. Mas, com o tempo, vem o aperfeiçoamento das técnicas e julgo que isto se pode constatar, sobretudo, em Itadakimasu!.

Esta série conta a história de uma jovem divorciada – que ainda trabalha na empresa do ex-marido, o que proporciona momentos bastante cómicos – que se apaixona pelo ex-cunhado sem conhecer a sua verdadeira identidade. Problema? O ex-cunhado ainda anda na escola secundária embora prove ser muito mais adulto que a própria. E são apenas estas as linhas gerais. Contudo as personagens estão bem delineadas e os momentos cómicos, assim como os de romance, são os melhores que conheço da autora. As deformações são inseridas em conta, peso e medida, não fartando, e os pequenos obstáculos na relação de ambos não são pesados, chatos nem demasiado cliché como acontece em tantas outras séries. E o que é melhor? Tem um final feliz. Aliás, todos as séries de Yoshihara Yuki que li acabam bem. Mas, se querem começar pelo melhor, recomendo vivamente começarem por Itadakimasu.

Chou yo Hana yo também é interessante embora seja ligeiramente difícil de acompanhar (só encontro até aos capítulos trinta e poucos – a partir daí é mistério).

Esta série começa de forma bizarra: a protagonista vai a uma entrevista de emprego e, para sua surpresa, a pergunta que lhe fazem de imediato é se ainda é virgem. Pouco sabe ela que o homem que fez a pergunta é filho da família de antigos empregados da sua casa, um vestígio da época em que ela gozava de um estilo de vida abastado. O resto é inevitável, claro. Infelizmente não tenho a série muito presente mas sei que estava a gostar bastante. Embora não tanto como Itadakimasu.

Outros trabalhos que valem a pena para passar o tempo são Anata to senya ichiya (o mais kinky que li até agora) e Aisuru Hito (que é um bocadinho parvo, às vezes). O único que não recomendo, de todo, é Darling wa Namamono ni Tsuki. A protagonista é demasiado idiota e degrine um bocadinho a imagem das mulheres. Um bocadinho.

Portanto, se querem passar o tempo de forma diferente, investiguem os trabalhos de Yoshihara Yuki. É a perfeita mistura de personagens femininas curiosas, romance, comédia e kinkyness. Só uma pequena nota: não leiam com ninguém ao lado porque por vezes os desenhos são bastante explícitos.