Gostaram da entrevista de ontem? Então hoje temos outra!
A entrevista de hoje é com as nossas meninas, Sara (Suu) e Patrícia (Oruha) sobre toda a sua experiência relativamente ao ECG!🙂

Antes de mais, como se sentiram quando souberam que iam representar o vosso país no ECG?
Sara: Quando anunciaram que eu e a Patrícia fomos as escolhidas para participarmos no European Cosplay Gathering, um dos maiores concursos a nível europeu, fiquei extremamente feliz e honrada por saber que confiavam no meu trabalho e o consideravam digno para representar Portugal.

Patrícia: Ficámos contentes, claro, mais ainda porque já nos tinham dito que era uma experiência espectacular, e foi!

Quais eram as vossas expectativas relativamente ao evento e concurso de cosplay?
Sara: Como estive presente na Japan Expo 2011 não tive expectativas relativas ao evento, já estava a contar com um espaço enorme, sempre cheio de actividades, com imensas pessoas de várias nacionalidades e interesses. Já em relação ao ECG, e apesar de ter assistido ao espectáculo no ano passado, as expectativas são sempre muito grandes e a ansiedade maior ainda. Não foi só o palco e o backstage que não me desiludiram, como também o pessoal do staff, os concorrentes dos outros países e o público que excederam todas as minhas expectativas.

Patrícia: O evento (que nunca tinha ido) já sabia que iria ser uma coisa de outro mundo só pelas fotos. Havia sempre coisas para fazer, não havia aborrecimento para ninguém. Quanto ao concurso, acho que nunca houve nada mais stressante como o ambiente no backstage. Também pensei em algo mais rígido em termos de avaliação de fatos.

Porque a escolha de Suu e Oruha de Clover?
Sara: Após sermos seleccionadas para irmos à final, demorámos algum tempo a decidir, pois tanto eu como a Patrícia não conhecemos muitos animes/jogos com fatos elaborados e visualmente apelativos. Como não queríamos levar nada que não conhecêssemos bem e como não queríamos gastar muito tempo a ver/jogar coisas novas decidimos pelo manga Clover que, apesar de não ter fatos muito complexos, tem acessórios (nomeadamente asas) que criariam grande impacto visual e uma história relativamente fácil de interpretar em palco.

Patrícia: Quando soubemos que íamos ao ECG, depressa pensámos em fatos das CLAMP porque são por norma os mais elaborados. Lemos Clover e pensámos que seria uma óptima escolha devido à sua história lindíssima. A Suu e Oruha eram então a melhor escolha para uma dupla.

O processo de construção foi mais complicado do que estão acostumadas?
Sara: Para além de ser mais complicado foi completamente diferente do que estou acostumada a fazer. Os únicos fatos que me tinham dado alguma experiência com armaduras e afins foram o de Fuu de Magic Knight Rayearth (armadura) e o de Stocking (espada) o que rapidamente me fez perceber que tinha de fazer uma pesquisa mais a fundo e investir noutros materiais e técnicas para conseguir o efeito que queria.
Patrícia: Complicado e stressante. O pormenor mais importante dos fatos eram mesmo as asas e tivemos de fazer bastantes experiências para conseguir o efeito desejado.

O que gostaram mais de fazer?
Sara: O que mais gostei de fazer foi a saia do segundo fato , pois foi relativamente fácil de fazer, correu bem à primeira e fiquei extremamente satisfeita com o resultado.

Patrícia: Eu adorei fazer o microfone da Ora, acho que é algo bastante emblemático do manga.

E o que vos deu mais trabalho?
Sara: O que me deu mais trabalho foram sem dúvida as asas, pois fizeram-me gastar imenso tempo, dinheiro e paciência. Foi de longe o que me fez stressar mais e o que refiz vezes e vezes sem conta. Para além de todo o trabalho em casa, tive que me desenrascar em Paris, pois as asas partiram-se em alguns sitios devido às constantes mudanças.

Patrícia: As asas e no meu caso o vestido branco também, que nunca consegui que me assentasse como queria.

Algo de novo que tenham aprendido durante a construção dos cosplays?
Sara: Durante o processo de construção dos fatos, principalmente das asas, tive a constante preocupação de escolher os melhores materiais e de pensar na melhor forma de os sincronizar. Sendo uma estrutura muito grande precisava de materiais que suportassem grande peso, fossem de alguma forma estáveis, não muito caros e principalmente que no seu todo tivessem um peso que eu conseguisse suportar  sem grandes dificuldades. Este processo demorou bastante tempo, mas graças a ele consegui encontrar locais de venda e tutoriais que não só me ajudaram neste cosplay como irão ajudar no futuro.

Patrícia: Leis da física na construção de asas!

Ficam satisfeitas com o resultado final? Pretendem mudar/melhorar alguma coisa?
Sara: Num modo geral fiquei bastante com o resultado final. No entanto, acho que o que falhou foi pelo facto de não podermos ter ninguém para nos ajudar no backstage mesmo antes do concurso. Infelizmente teve que ser o staff do ECG a ajudar e apesar de serem bastante empenhados e de estarem sempre prontos a ajudar, foi complicado explicar o que queríamos, o que fez com que desistíssemos de alguns elementos para o skit.

Patrícia: Não fiquei satisfeita com o meu resultado final mas também não pretendo mexer mais num futuro próximo. Partiram-se partes das asas e o meu vestido até com sangue ficou por causa do meu joelho e do tralho que dei, por isso penso que não hei-de mexer naquilo tão cedo.

Aprenderam algo de novo nesta experiência?
Sara: Com as diversas trocas de experiências com os outros concorrentes aprendemos sempre utilizar técnicas e materiais novos, bem como onde os podemos arranjar.

Patrícia: Especificamente ao cosplay, tomei conhecimento de diversos materiais que gostaria de experimentar no futuro. Num modo mais geral, aprendi que o cosplay é igual em todo o mundo e que as comunidades são bastante parecidas.

Qual foi a reacção do público perante o vosso cosplay?
Sara: Tivemos sempre críticas positivas do público, principalmente em relação às asas!

Patrícia: Acho que gostaram, diversas pessoas na Japan Expo vieram mesmo falar connosco a dizer que gostaram. E estou eternamente agradecida por todo o apoio que nos deram, a mim especialmente depois do meu percalço em palco.

O que acharam, quando voltaram a Portugal e viram o apoio prestado pelos portugueses que não foram capazes de ir a França ver-vos?
Sara: Mesmo antes de termos voltado a Portugal já estava a receber elogios através de mensagens de pessoas que tinham gostado da nossa prestação. Quando cheguei a Portugal tive acesso à internet e pude constatar que houve uma grande quantidade de pessoas da comunidade que gostaram da nossa performance. Isso deixou-me extremamente feliz, pois representar bem Portugal era o meu grande objectivo. Claro que há sempre quem não goste, mas temos que aceitar as críticas construtivas negativas (infelizmente é raro existirem) e usá-las para melhorar.

Patrícia: Claro que adorei! No meu caso então, não vinha ao Facebook desde que tinha ido para França e fiquei imensamente feliz de voltar e ter mensagens de apoio de muita gente.

E sobre o skit? Correu de acordo com o planeado?
Sara: Desde o início que o skit não correu como planeado. Como disse anteriormente, tínhamos pensado em colocar mais elementos em palco só que, devido à falta de ajuda no backstage, decidimos não meter, pois podia prejudicar mais do que ajudar. Na performance em palco só houve um percalço que posso considerar que não correu bem, mas de resto estou satisfeita.

Patrícia: Mais ou menos. Já tínhamos o skit planeado desde o início da construção dos fatos, mas houve muitos elementos que tivemos de deixar de fora porque ou podiam não resultar ou porque simplesmente não tivemos tempo para tentar as ideias em palco.

Sofreram algum imprevisto?
Sara: Sim, desde as asas partirem-se antes do concurso (o que me fez usar um dos fios que suportavam as asas ao meu corpo para segurar o ferro que se partiu – tornando-as mais instáveis), ao facto de não podermos ter ajuda no backstage (impossibilitando o uso de mais elementos no skit) e por fim à queda no palco. Apesar dos imprevistos, conseguimos atingir os nossos objectivos e estou bastante contente com o resultado!

Patrícia: Bastantes! Desde o meu tralho épico em palco (que resultou em diversos percalços com o próprio fato), a coisas a se partirem horas antes de entrarmos no palco, etc. Mas o espectáculo tem de continuar e acho que fizemos o melhor que pudemos.

No geral, gostaram da experiência?
Sara: Adorei a experiência! Foram dias de muita correria, muito stress, mas sempre em excelente companhia! Aprendi coisas novas e conheci pessoas que me marcaram positivamente. Decerto que vou continuar em contacto com elas.

Patrícia: Adorei completamente a experiência. Todas as pessoas eram espectaculares. A barreira da língua pouco ou nada se fez sentir quando tinhamos de comunicar. Só sei que provavelmente não houve 5 dias em que me tivesse rido tanto como estes.

Pensam repeti-la?
Sara: Nos próximos anos não penso em voltar a tentar a participar em algo tão grande como o ECG ou mesmo o Eurocosplay. Apesar de ter gostado imenso da experiência é algo que requer muita paciência e dinheiro e neste momento não tenho disponibilidade para isso. Quem sabe um dia, mas por enquanto fico-me pelos concursos portugueses que mesmo sendo mais pequenos a competição é igualmente grande. Como visitante espero voltar para o ano e apoiar quem lá for!

Patrícia: Como participante do ECG? Daqui a muito tempo. Como visitante ou ajudante? Já amanhã, se pudesse ser.

Fotografias por Alice Manso

E assim termina o segundo capítulo de Portugal no ECG. Esperamos que tenham todos gostado do trabalho das nossas cosplayers em França e que continuem a seguir os seus trabalhos.

Que venham os próximos seleccionados!