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Por vezes colocamos aqui notícias e passa muito tempo até que me volte a lembrar delas novamente. Foi o caso com esta adaptação do manga de Yazawa Ai para o grande ecrã. Só me dei conta que provavelmente já a poderia ver há questão de dias.

Geralmente nem ligo a live actions mas neste caso concreto apeteceu-me ver. Sabia que ia ser algo leve e não muito disparatado. Felizmente fiquei surpreendida e acabei por gostar imenso do filme – tirando o final.

A Kitagawa Keiko (Hino Rei/Sailor Mars no dorama de Sailor Moon) brilha como Yukari. Não há sombra de dúvida de que ela é o centro do filme. Por vezes as personagens principais nestas adaptações acabam por ser ensombradas por prestações de actores secundários mas, neste caso, a Keiko foi consistente do princípio ao fim. É certo que não me lembro muito bem da Yukari como personagem porque já vi e li o original há muito tempo. Mas adorei-a. O facto de não terem pintado o cabelo do Arashi de loiro nem lhe terem dado um ar muito anime-esco também é um grande ponto a favor e adorei, adorei, adorei a Isabella. O meu grande problema foi o George. O Mukai Osamu não me convenceu nem um pouco. Claro que não estava à espera de um galã com cabelo azul mas gostava que tivessem escolhido um actor com mais carisma, mais presença, mais magnetismo. Infelizmente foi um George muito apagado. O mesmo se passou com a Miwako – com a agravante que a actriz que a representa, Ohmasa Aya, é a mesma que faz de Nakahara Sunako em Yamato Nadeshiko, um dorama que planeava ver e que agora, depois de a ver no ecrã… tenho as minhas dúvidas.

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O outro grande protagonista de Paradise Kiss – o guarda-roupa – foi cuidadosamente estudado e incluído. As cores são vibrantes, as roupas lindíssimas e até mesmo o vestido azul do desfile foi alvo de um upgrade (felizmente, porque sempre o achei horrível).

Como já referi, o meu maior problema foi o final.

SPOILERS

No manga Yukari e George separam-se e cada um segue o seu caminho: Yukari como modelo de sucesso e George como costume designer para espectáculos. Nas últimas páginas Yukari conta-nos como já não tem idade para ser modelo e como se vai casar com Hiro. Revela que George ainda tem uma grande influência na sua vida mas é claro que resolveu seguir a sua vida olhando sempre em frente. No filme isto não acontece. O final aberto e realista que nos é dado por Yazawa Ai é substituído por um final feliz irreal onde todos vivem felizes para sempre. Embora tenha gostado imenso do filme e me tenha emocionado com algumas cenas confesso que este final me deixou um sabor amargo na boca. Uma das grandes lições que se podem retirar de Paradise Kiss é que a subida ao paraíso é uma fantasia irreal mas que, em vez disso, podemos viver a nossa vida consoante o nosso ritmo e os nossos desejos, sem qualquer influência de outrém. E que, geralmente, as pessoas que nos mostram esse caminho, as pessoas que têm um impacto forte nas nossas vidas nunca ficam connosco para ver a concretização dessa caminhada. Como George, por vezes saem das nossas vidas sem dizer nada e cabe-nos a nós aprender a continuar de cabeça erguida, baseando as nossas decisões naquilo que aprendemos com essa pessoa. Nos bons momentos. O filme, ao dar um final feliz, destrói completamente esses ideais. É bonito de se ver, claro, mas, na minha opinião, vai contra uma das grandes mensagens do original.

Contudo, recomendo. Se tiverem duas horinhas para gastar e quiserem ver algo leve dentro do género, este é sem dúvida o filme a escolher.