Hoje, pela primeira vez no blog, vamos ter um especial cosplay! Uma entrevista na qual consta o trajecto deste grande cosplayer português – Leandro Martins – da sua fase de iniciante até hoje, representante pela segunda vez de Portugal no ECG.

Como descobriste o cosplay?
Foi por passa palavra. Uma colega da escola tinha uma amiga que fazia cosplay. Entretanto, esta tal colega também fez cosplay e mostrou-me fotos do dia e foi assim que fiquei a saber que existia este mundo. Isto em 2005. Só tive coragem de ir ao meu primeiro evento em 2006: o FIBDA.

Quando é que começaste a ganhar o bichinho do cosplay?
Quando entrei para o cosplay foi com ideia de conhecer uma rapariga e fi-lo também para ser um meio de comunicação entre os dois, mas entretanto fui apanhando gosto à coisa e por cá fiquei.

Qual foi o teu primeiro fato?
Foi o Kakashi da série de animação Naruto.

A tua primeira experiência como cosplayer correu bem?
Sim, quando entrei para o cosplay era muito diferente e super introvertido, fui com uns amigos e poucas pessoas conheci mas muita gente falou comigo por estar de Kakashi e tiraram fotos. Por isso acho que correu bem, dentro do normal.

2007: Kakashi de Naruto

Qual foi e qual é actualmente, a tua motivação para continuar?
Superar-me a mim mesmo todos os dias e aprender coisas novas! Há dias em que quero desistir de tudo mas passado um tempo o bichinho volta. É mais ou menos uma relação de amor/ódio.

Qual é o fato mais difícil que já construíste?
Um dos que estou a fazer agora! Sem dúvida alguma! Mas dos concluídos acho que foi o Cain de Trinity Blood, embora o Safer Sephiroth também tenha dado muita luta e tenha sido o mais caro que já fiz.

E qual aquele por que tens mais carinho?
Cada fato tem a sua história, e não seria correcto dar mais carinho a uns do que a outros porque todos deram o seu trabalho. Todos são de personagens que adoro e cada um à sua maneira tem um carinho especial.

Quanto tempo demoras mais ou menos a fazer um fato?
Depende muito dos detalhes, do corte do tecido entre outras coisas. Um fato simples do género colegial leva cerca de dois a três dias a estar feito e outros fatos mais elaborados podem levar entre meses ou ate anos a serem terminados.

Achas que ainda tens muito a aprender?
Muito! embora a costura já não tenha muitos segredos para mim ando muito interessado em trabalhar com armaduras e descobrir técnicas para as tais, mas é como tudo, tenho de começar a dedicar-me a sério ate conseguir fazer tudo perfeitinho.

Já fizeste alguns cosplays de grupo. Preferes fazer cosplay desta forma ou a solo?
É diferente, quando se fazem cosplays em grupo tem-se muita mais responsabilidade nas costas, principalmente quando se actua em palco –  se acontece algo de errado tem de haver sempre algum pilar onde nos possamos “agarrar” e prosseguir. Mas claro que em grupo é sempre muito mais divertido para tirar fotos e para o convívio. Embora goste muito de fazer cosplay em grupo prefiro ir em solo, sou um pouco individualista e não gosto de depender de ninguém para ter as coisas feitas. Em palco, caso aconteça algo de mal, não há tantas preocupações em relação a ter uma pessoa que podemos prejudicar e assim desenrasca-mo-nos sozinhos.

2008: Orphen de Sourcerous Stabber Orphen

Das primeiras vezes que Portugal mandou um representante para o EuroCosplay e o ECG tu saíste vencedor em ambas. O que te incentivou a participar neles?
Sempre adorei participar em concursos, dá-me um gozo enorme ir a um palco interpretar determinada personagem e dar vida a um mundo imaginário por uns minuto. Como disse anteriormente adoro desafiar-me e pôr-me à prova e ir representar o país que nos viu nascer e ensinou tudo o que sabemos é uma honra.

Pretendes voltar a participar nesses concursos?
Claro! Não há nada que me impeça de participar e é sempre divertido entrar em palco mesmo que seja só para passar um bom tempo.

Queres contar-nos como foi a experiência?
Foram duas experiências únicas! Tanto para Londres como para França fui sempre com a mente aberta e à espera de que me acontecesse de tudo mas correu sempre tudo bem. Viajar e conhecer outros países, culturas e pessoas é uma lufada de ar fresco. Sair do nosso quotidiano e por uns dias fazer montes de amizades que ficam para a vida, ver como são feitas as coisas fora do nosso país e largar todos os problemas por esses dias é super relaxante, senti que vinha sempre uma pessoa nova para Portugal e aprendi a ver as coisas com outros olhos!

2009: Isaak Fernand de Trinity Blood

Houve algum cosplayer internacional que te servisse de inspiração para o teu trabalho?
Adoro muitos cosplayers russos, são verdadeiras inspirações para fazer cosplay. A minha cosplayer favorita é a Diana Sama mas a minha verdadeira inspiração e o meu ídolo de cosplay é o KANAME – é um cosplayer que respeito muito, os fatos são sempre perfeitos e fiquei muito impressionado quando o conheci pois por trás de toda a fama está uma pessoa super simples que só se quer divertir ao imitar personagens e isso é contagiante! Um modelo a seguir!

E agora que és o que podemos chamar um cosplayer internacionalmente conhecido, já pensaste que podes servir de ídolo para outros cosplayers? Qual é a sensação?
É engraçado quando vou a eventos fora de Portugal e tenho pessoas a olhar para mim de longe e a virem falar comigo por me reconhecerem porque nunca tive aquela ideia de querer ser um modelo a seguir para ninguém, sempre quis viver a minha vida e pronto, mas tal como eu adoro outros cosplayers e tento fazer as coisas tão bem como eles fico contente por ter pessoas que gostem do meu trabalho e tenham isso como limite ou objectivo de ultrapassar!

Esta é uma pergunta que interessa aos principiantes ou aos que encontram dificuldade em costurar: aceitas encomendas de fatos actualmente?
Só se for uma coisa muito especial ou de uma pessoa amiga, mas nunca devemos dizer nunca! Quem sabe um dia.

Alguns projectos para fatos no futuro?
Sim, tenho alguns mas como não tenho muitas datas marcadas para os usar vou fazendo com calma e consoante posso.

Alguma mensagem que queiras deixar aos cosplayers que por aqui andam?
Conheci uma japonesa que faz cosplay há algum tempo e lembro-me que quando falamos de cosplay ela não me perguntou se eu fazia ou se usava cosplays… Ela perguntou-me se eu brincava ao cosplay, o que me fez pensar em quanta importância as pessoas dão a todo este mundo quando a ideia é só para nos divertimos. O cosplay é um hobby e tal como hobby deve se levado na brincadeira e para satisfação do próprio. Só espero que se divirtam e passem um bom tempo quando estiverem a fazer e a usar um cosplay!

2011: Zero de Code Geass

*Agora que já passou outra eliminatória do ECG da qual saíste vitorioso novamente, desta vez com a tua parceira Paula Nunes, o que nos podes dizer sobre o processo de escolha e produção do fato?
Isto começou com a nova série que as Clamp lançaram [GATE 7] e nós fomos acompanhando desde o início até que apareceu a imagem dos cosplays que fizemos e a Paula apaixonou-se pelo kimono da Hana e eu convenci-a a fazê-lo. Só que da mesma maneira fui arrastado a fazer o Sakura – depois acabei por adorar a personagem – e decidimos participar para o ECG com os fatos!

2012: Sakura de Gate 7

Toda a equipa do Ritsu deseja a maior sorte do mundo ao Leandro e à Paula em França para que tragam mais um prémio para Portugal e nos continuem a deixar orgulhosos!

*O Leandro tinha sido entrevistado antes do ECG, logo não sabíamos que ele ia participar e muito menos que ia voltar a ganhar, por isso decidimos incluir agora a pergunta, que ele foi um super querido e não se importou de responder.🙂