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Vulgarmente conhecido por Dartacão e os Três Moscãoteiros. Estava com muita vontade de escrever umas palavras sobre esta série mas estava convencidíssima que era espanhola. Realmente foi produzida pela BRB Internacional S.A mas a realização esteve a cargo da Nippon Animation. As coisas que uma pessoa aprende.

Fazendo um breve – e provavelmente desnecessário – resumo da história, Wanwan Sanjushi conta-nos a saga escrita por Alexandre Dumas de forma acessível, na qual os personagens humanos são substituídos por cães e outros animais (como o caso do urso Planchet, por exemplo). Para ser sincera não me lembro a que ponto estava fiel mas tenho noção que os episódios principais do livro estão lá, como o caso das agulhetas de diamante, assim como as características principais de cada personagem tirando, talvez, o Porthos e o Athos. No livro o folião é o Porthos, não o Athos. O Athos é o personagem deprimente por excelência, marcado por um passado trágico com a misteriosa Milady. Claro que essa linha não podia ser explorada numa série para crianças, particularmente o seu final gruesome. Portanto, forma geral e tirando este aparente mix up entre personagens, pode-se dizer que Wanwan Sanjushi cumpre a sua missão de levar a crianças um dos clássicos literários mais acarinhados pelo público.

A nível pessoal foi uma série que me influenciou bastante. Como já devem ter reparado pelos meus artigos anteriores nesta categoria, a minha família incentivava-me a ver adaptações de clássicos da literatura e não fomentava muito o visionamento de outro tipo de animação (quando comecei a ver Sailor Moon Dragonball devo-lhes ter dado um grande desgosto). O que é certo é que ver este tipo de adaptações me incutuiu um conjunto de valores específico desde muito cedo e alertou-me para a existência destas histórias. Para além de que estimulavam imenso a minha imaginação no que tocava a brincadeiras no quintal da minha avó. Os meus cadernos de desenho da altura estão cheios do que agora poderia ser chamado fan-fiction do Dartacão (sim, leram bem) e tive um fraco enorme pelo Aramis. O que, bem vistas as coisas, era ridículo.

A segunda série tentou explorar os acontecimentos do último livro da saga, The Man In The Iron Maskmas falhou redondamente. É impossível abordar a história sem incluir elementos chave do final de Les Trois Mousquetaires, final esse demasiado violento para crianças (por exemplo, o d’Artagnan nunca poderia ter casado com a “Julieta” porque esta, Constance no livro, morre). Sem falar na animação, que era de fugir.

Anos mais tarde resolvi pegar em Les Trois Mousquetaires e voltei a ficar encantada pela época e pela história. Li a saga inteira (composta pelo volume citado, Vingt Ans Aprés, Le Vicomte de Bragelonne, Louise de la Valliére e Le roman du Masque de fer) de uma só vez e é, sem dúvida, uma obra literária monumental que revolucionou o romance histórico em todos os aspectos. Recomendo vivamente a sua leitura aos fãs do género ou simplesmente aos que desejam uma boa forma de entretenimento (particularmente o Louise de la Valliére que é a coisa mais linda e fantástica e maravilhosa). Quem disse que os desenhos animados não estimulam o conhecimento sem dúvida que nunca viu Wanwan Sanjushi.