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A Letter to Momo (2011)

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Quando se perde alguém o nosso coração fica de luto. Seja qual for a maneira que cada um lida com esta situação é sempre doloroso ver alguém partir e ter de pensar que não se vai mais ver essa pessoa. O que fica para trás são apenas as memórias e os sentimentos que essa pessoa marcou no nosso coração. Ficam sempre coisas por dizer e outras que nos fazem arrepender de ter dito.

E se fosse possível entrar em contacto com aqueles que já não estão entre nós?

 

Momo é uma jovem rapariga que cresceu em Tóquio. No entanto, após a perda do seu pai, ela e a sua mãe mudam-se para a antiga casa de família que se situa na pequena ilha de Shio. Aqui, o tempo parece ter parado. Momo depara-se com um cenário rural, as casas da aldeia são construídas de madeira, os santuários sagrados são cercados por árvores e os terrenos agricultas são esculpidos a partir das colinas íngremes da ilha. Não existe nenhum centro comercial e a construção mais moderna (que está a acabar de ser feita) é uma ponte que irá unir Shio a outra ilha.

Momo não fica muito contente com o ambiente do seu novo lar e tem alguma dificuldade em adaptar-se. Para alem disso, Momo leva consigo uma carta inacabada escrita pelo seu falecido pai. A carta contém apenas as palavras “Querida Momo”. Ela guarda essa carta com todo o carinho e questiona-se sobre o que seria que o seu pai lhe queria dizer.

Um dia, ao explorar o sótão de sua nova casa, Momo encontra um antigo livro. A partir desse momento, algo inesperado começa a acontecer à sua volta…

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[Aviso: Contém spoilers]

Okiura Hiroyuki demorou sete anos para produzir este filme. Será que valeu a pena o tempo e esforço?

Apesar do filme ter cerca de duas horas não se dá pelo tempo passar. A acção desenrola-se de uma forma agradável e o desenvolvimento das personagens passa-se de forma natural. Ao acompanharmos Momo nas suas aventuras e percalços na ilha vamos lentamente aprendendo sobre o seu passado. Desta forma é feita a transição da “comédia” ao drama, na tentativa de fazer com que o espectador cria alguma empatia com a protagonista na parte final do filme.

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Pessoalmente penso que estava a correr bastante bem até à “reviravolta”, quando nos apercebemos que as três criaturas (e não só) são mesmo reais, que podem interagir com os humanos e têm ligação com uma entidade superior. Penso que faria mais sentido que as criaturas fizessem parte da imaginação de Momo na tentativa inconsciente de compensar a ausência da sua mãe e não se sentir tão sozinha depois de ter perdido o pai. Podiam até ajuda-la na mesma, de uma forma mágica e sem explicação. Sendo reais existem cenas no filme que estão a mais e não fazem muito sentido no desenvolvimento da história. Para alem de que ao dar tanto protagonismo a criaturas sobrenaturais, no momento em que é suposto ser realista, perde-se grande parte do drama. Seria muito mais dramático se fizesse tudo parte da imaginação de Momo. Bem, talvez este seja um filme para agradar a um publico mais jovem e precise de mais magia do que drama.

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Outras cenas simplesmente não tiveram drama suficiente. Depois de todos os roubos e estragos que as três criaturas fazem durante o filme em toda a ilha, e que é associado a Momo, deveria culminar em algo mais drástico e pesado para ela e não numa cena tão simples quando a mãe lhe pergunta onde ela foi buscar tudo aquilo que estava no sótão.

Não é que a história esteja mal assim, apenas penso que existem cenas que não fazem sentido e podiam ter sido cortadas ou substituídas por outras que criassem mais tensão.

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A animação está excelente. O que não é de admirar já que ficou a cargo de Masashi Ando (A Viagem de Chihiro e Princesa Mononoke), Toshiyuki Inoue (Akira), Takeshi Honda (Evangelion 2.0 You Can Not Advance) e Hiroyuki Aoyama (Summer Wars).

Mas durante todo o filme não consegui deixar de reparar semelhanças com vários filmes do estúdio Ghibli. Momo parece Chihiro, tanto o seu aspecto como as suas expressões e movimentos (Umi então é a cópia exacta de Chihiro, tem o mesmo corte de cabelo e veste roupas idênticas). As criaturas sobrenaturais da floresta, os animais e as metamorfoses são também parecidas com outros filmes do estúdio como “Ponyo” e “Princesa Mononoke”.

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Quanto à história também parece uma fusão entre “Totoro” e “A Viagem de Chihiro”. Tendo como base a formula já testada de entidades sobrenaturais, uma rapariga que contra a sua vontade se tem que mudar pra uma nova localidade rural, a amizade pouco provável entre um humano e seres de “outro mundo” e a ajuda perante uma situação de fatalidade onde é preciso salvar um membro da família.

“A letter to Momo” quase parece uma homenagem ao estúdio Ghibli. Será?

A acompanhar a animação está uma boa banda sonora. A música instrumental integra-se bem com os ambientes rurais presentes no filme e ajuda a transmitir mais emoção em algumas cenas mais importantes.

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Em suma, é um filme simples e agradável de ver que em alguns momentos pode parecer bastante familiar.

Nota: 6.5/10